Posts com Tag ‘língua portuguesa’

Falar bonito é comunicar-se bem!

Publicado: domingo, 8 abril, 2012 em Dicas
Tags:, ,

Apesar dos crescentes estudos a respeito do ensino da Língua Portuguesa em nosso país de uma forma mais objetiva e criativa, infelizmente muito ainda se tem falado, entre professores (falo daqueles que não se desprendem de seu mundinho comodista e, por vezes, até insolente), a respeito do modo “inadequado” como seus alunos se comunicam, atualmente, tanto na linguagem oral quanto na escrita.

Porém, quando se fala em inadequado, será que esse termo está sendo bem aplicado ou está sendo utilizado apenas para sublinearmente criticar a linguagem popular? O que realmente significa inadequado? Segundo os dicionários, o termo refere-se àquilo que é impróprio. E não seria impróprio que uma criança ou um adolescente se comunicasse com uma linguagem que nada tem a ver com seu ambiente familiar e social? A linguagem que uma criança aprende antes de entrar na escola não tem lhe servido, então, como base de sua comunicação?

Uma vez na escola, a criança é ensinada que deve expressar-se por meio da chamada norma culta e seus conceitos lhe são apresentados. Porém, dificilmente ela é ensinada a valorizar sua própria expressão – carregada de sua história e de sua cultura pessoal. Pelo contrário: é orientada a esquecê-la e substituí-la por outra, imposta como mais bonita e correta.

Ora, educar envolve necessariamente destruir para construir? Muitas vezes, envolve destruir da mente do professor certos conceitos estereotipados do que é  certo e do que é errado, para que ele possa aprender a amalgamar o que tem a ensinar com o que tem a aprender com seus alunos, respeitando-os como indivíduos, sujeitos de suas ideias e expressões.

Além disso, um professor que se limita a ensinar normas – e não ensina como, quando e onde as utilizar – não está cumprindo seu papel de educador, não está auxiliando no preparo desse aluno para a vida prática. Atualmente, enfatiza-se muito a diferença entre eficiência, eficácia e efetividade, termos muito ligados à ideia de bem perceber o “como, quando e onde”. Enquanto ser eficiente é apenas fazer as coisas de maneira correta, ser eficaz refere-se a fazer a coisa certa, do modo certo, na hora e no lugar devidos, alcançando-se um resultado; já o conceito de efetividade está ligado à transformação decorrente da eficácia, de forma a gerar impacto social positivo.

Disso se pode concluir que, para que uma pessoa possa ser eficaz em sua comunicação, necessita alcançar o objetivo que essa palavra sugere: comunicar-se. E cabe ao professor orientar seu aluno para que saiba ser eficiente e eficaz, falando e escrevendo de forma adequada aos diversos contextos e situações em que se insere, a fim de alcançar efetividade em sua cidadania, transformando-se em um “poliglota em sua própria língua”, expressão bastante utilizada entre os linguistas e cristalizada no livro “Gramática: opressão ou liberdade”, do conceituado linguista Evanildo Bechara.

Vivemos em uma sociedade extremamente fragmentada, e essa fragmentação se reflete também na educação, que se vê cada dia mais subdivididaem disciplinas. Seo professor responsável por cada uma das disciplinas se preocupar em orientar seu aluno na intersecção desses mundos por meio da comunicação, estará lhe mostrando que ser poliglota não é, necessariamente, falar diferentes idiomas para globalizar-se, mas falar seu próprio idioma de forma criativa e rica, visto que convive com pessoas das mais diferentes classes sociais e estilos de vida, em diversas – e até adversas – circunstâncias.

—————————————————————————————————–

TEXTO DE AUTORIA DE ESTHER OLIVEIRA ALCÂNTARA

COGEAE/PUC-SP – ESPECIALIZAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUESA

PROPOSTA DE TRABALHO:

Artigo de opinião: Tornar o aluno um poliglota na própria língua: desafio para o professor de língua materna?

cplp

Resumo da ópera:

. ALFABETO:

Terá 26 letras, com a inclusão do K, W e Y.

· SINAIS GRÁFICOS:

Trema: não será mais utilizado

(exceto em nomes próprios e derivados, como Müller, mülleriano).   Exemplos: bilíngue, tranquilo, consequência.

Hífen:

1- Será mantido:

a) nas palavras compostas por justaposição (duas palavras formando um só conceito), como: guarda-chuva, arco-íris, amor-perfeito;

DICA: observe se cada uma das palavras tem sentido, isoladamente.

b) nos seguintes casos de prefixação e sufixação (prefixo: partícula que vem antes de uma palavra / sufixo: partícula que entra ao final de uma palavra):

– quando o segundo elemento começar com h (anti-higiênico; co-herdeiro);

– quando o prefixo termina com a mesma vogal com que se inicia o segundo elemento (micro-onda,    contra-almirante, anti-ibérico);

– nos casos do prefixos circum e pan, quando o segundo elemento começa com vogal, H, M, ou N (pan-americano; circum-navegação);

– nas formações com os prefixos hiper, inter e super, quando combinados com elementos iniciados em R (hiper-requintado; inter-resistente; super-revista); em expressões com os prefixos tônicos pré, pós e pró (pós-graduação, pré-escolar; pós-europeu).

ATENÇÃO: neste último caso só há hífen quando o prefixo é acentuado; portanto, nada de hífen em: predeterminado, preestabelecer, poslúdio.

2 – Será abolido nas demais situações, destacando-se:

a) quando a segunda palavra começar com S ou R (as consoantes deverão ser duplicadas, dessa forma: anti-social/antissocial);

b) quando o prefixo terminar em vogal diferente daquela que inicia a segunda palavra (auto-elogio/autoelogio).

– Acento diferencial: não será mais usado para distinguir casos como pára (verbo parar) de para (preposição).

– Acento agudo: deixará de ser utilizado:

– nos ditongos abertos EI e OI de paroxítonas (idéia, assembléia, cefaléia, jibóia / ideia, assembleia, cefaleia);

– nas paroxítonas com I e U tônicos precedidos de ditongo (feiúra/feiura);

– em formas verbais com acento tônico na raiz e U tônico precedido de G ou Q e seguido de E ou I (averigúe/averigue).

– Acento circunflexo: não será mais usado nas terceiras pessoas do plural no presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos Crer, Ver, Ler, Dar e derivados (crêem, vêem, lêem, dêem / creem, veem, leem, deem) e em palavras que têm hiato no final (enjôo/enjoo)

· GRAFIA:

– O C e o P deixarão de ser grafados nas palavras em que não  são pronunciados (acção, óptimo) e o H, em palavras como húmido (ocorrências não significtivas para a escrita brasileira, mas bem relevantes para Portugal, por exemplo).

Atenção:

a) Serão mantidas, se pronunciadas, as letras C e P em: compacto, ficção, apto, erupção.

b) Serão mantidas ou excluídas, facultativamente, a depender da pronúnicia de tais letras no falar culto regional:

– letras C e P – caracteres/carateres; corrupto, corruto.

– Seqüência MP: amígdala/amídala; sutil, subtil.

Nos casos optativos, recomenda-se usar a forma presente nos principais dicionários.

1. Vc. deve evitar abrev., etc.
2. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, segundo deve ser do conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. “não esqueça das maiúsculas”, como já dizia dona loreta, minha professora lá no colégio alexandre de gusmão, no ipiranga.
5. Evite lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Chute o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam maneiras, tá ligado?
9. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar, em todas as situações, sempre é um erro.
11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo: “Quem cita os outros não tem idéias próprias”.
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma idéia.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Use a pontuação corretamente o ponto e a virgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P.R. nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível!
25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da idéia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.

(autor desconhecido)